"Então agora eu vou sacanear: mais honesto ainda eu vou ficar. Só de sacanagem!" (Elisa Lucinda)

quarta-feira, 25 de abril de 2012

O racismo em construção no Brasil: decisão com o Supremo

Por Paulo Roberto de Almeida


O Brasil involui rapidamente, ou seja, não deixa de andar para trás a cada nova questão que se apresenta. 
Competição estrangeira? Tome protecionismo
Indústria debilitada por excesso de impostos? Um pouco de subsídios setorialmente seletivos.
Moeda valorizada? Compra de dólares em excesso pelo Banco Central e controle de capitais.
Educação de má qualidade? Subsídios a faculdades privadas para vagas aos carentes.
Maioria de brancos nos diversos setores da sociedade? Cotas compulsórias para negros, independente do mérito.
Assim, são as coisas neste Brasil progressista.
O Supremo (ou deveria dizer supremo?) vai julgar a validade das cotas raciais.
Observando um pouco o que disseram e, sobretudo o que fizeram, os magistrados supremos, creio que pelo espírito da época, vão aprovar as cotas, não constitucionalmente, mas vão dizer que elas são permissíveis dadas as circunstâncias.
Parabéns: estarão contribuindo para o crescimento do Apartheid, para a expansão do racismo, enfim, tudo o que desejam as minorias de militantes engajados nas suas causas.
Paulo Roberto de Almeida 




por Yvonne Maggie (23/04/2012)
Blog Contra a Racialização do Brasil, 24 Apr 2012 03:33 AM PDT


Obama no histórico ônibus em que Rosa Parks foi presa em 1955 por ter se recusado a dar o seu lugar para um homem branco. Foto Pete Souza/Casa Branca

Abrir o jornal e ver a foto de Barack Obama sentado em um ônibus antigo do sul dos EUA, olhando de lado pela janela, já produz emoção. Logo abaixo as imagens do mesmo veículo, há cinquenta anos atrás, e  de Rosa Parks, a americana que foi retirada do ônibus pela polícia e presa por se recusar a ceder o lugar a um homem branco, no Alabama, trazem recordações sobre  o estopim dos movimentos civis americanos que culminaram com a assinatura da Lei de Direitos Civis de 1964 e, um ano depois, a Lei de Direito ao Voto para os negros.
Andei em um ônibus parecido com este em 1961 no Tennessee, sul dos EUA e, desavisada, sentei-me no último banco. Não percebi que os passageiros se dividiam em brancos e negros – brancos na frente e negros atrás –, pois para mim, brasileiríssima, aos dezesseis anos, todos eram simplesmente pessoas. Senti muitos olhares estranhos na viagem de Nashville a Knoxville, uma cidade nas montanhas, sem atinar com o motivo. Quando paramos no meio da viagem, em uma lanchonete de beira de estrada, vi duas portas; em uma delas estava escrito colored only. Não percebi o significado daquele aviso e entrei pela porta reservada apenas às pessoas ditas negras. Lá dentro, no balcão, os  sucos e sanduíches servidos eram iguais para todos os passageiros, mas as pessoas mais escuras estavam de um lado e as mais claras do outro. Fiquei entre os mais escuros apesar dos meus cabelos longos e louros e minha pele clara. Só quando cheguei ao destino e me encontrei com minha irmã e meu cunhado americano, que lá viviam e me explicaram as regras, pude entender porque havia aquela porta e porque o ônibus era assim dividido. Os americanos do Sul viviam sob a lei Jim Crow. Os cidadãos não eram iguais diante da lei e negros não votavam. Moravam em bairros separados e eram tratados de modo diverso.
Dez anos mais tarde voltei aos EUA,  depois da Lei dos Direitos, promulgada em 1964. Nos ônibus não havia mais separação legal entre negros e brancos graças a Rosa Parks, mas os EUA continuavam cindidos racialmente. No Texas, em 1971, tive a exata noção do que significa viver em um país construído pela segregação legal.
Em Thirteen ways of looking at a black man, de Henry Louis Gates Junior, professor de Harvard, há uma história reveladora do que se passou depois da lei dos direitos. Neste livro, Harry Belafonte conta que alguns anos depois de 1964 fora convidado para fazer um filme. O produtor, muito animado, lhe dissera: “Harry, será maravilhoso, vamos fazer um filme dirigido e estrelado por negros, produzido por negros, com música feita por negros e vai ser belíssimo”. Ao que o ator, nervoso, respondeu: “Não quero fazer parte disso, passei tantos anos lutando para sair do gueto, não serei eu a me enfiar de novo nele”. Gates conta que durante a entrevista, após esta declaração de Harry, seguiu-se um silêncio constrangedor,  só quebrado com uma sonora gargalhada  do entrevistado e a seguinte frase: “Eu não aceitei a armadilha, mas é claro que Sidney Poitier aceitou e ficou rico estrelando todos aqueles filmes”.
No país da segregação racial e da lei Jim Crow cotas raciais foram consideradas inconstitucionais em 1978, no famoso caso Regents of the University of Califórnia versus Bakke (1978), e a decisão foi reafirmada em 2003, nos julgamentos envolvendo a Universidade de Michigan, Grutter versusBollinger et al. A Suprema Corte nos dois casos considerou inconstitucional a reserva de vagas para minorias em universidades. Em 2007,  novamente, a Corte Suprema americana se viu diante da mesma questão, desta vez a respeito  de crianças brancas que haviam sido preteridas em algumas escolas do distrito de Seattle que praticavam uma  política de discriminação positiva. A corte decidiu que a cor da pela não deveria mais ser usada para matricular crianças em uma escola ou outra, pois segundo a maioria dos juízes, obrigar os indivíduos a se definirem racialmente tinha o efeito de perpetuar a proeminência da “raça” na vida pública americana. Um dos juízes da Suprema Corte Americana foi além ao dizer: “Fazer com que a raça tenha existência agora para que não tenha no futuro fortalece os preconceitos que queremos extinguir”.
Diante da eminência do julgamento, dia 25 de abril, da constitucionalidade das cotas raciais na UnB pelo STF, penso que os juízes de nossa Corte Suprema devem levar a sério a posição majoritária na decisão da Corte em 2007. Muitos dos intelectuais que assinaram a Carta dos cento e treze cidadãos antirracistas contra as leis raciais entregue ao Presidente do STF em abril de 2008 já disseram em várias ocasiões que, no Brasil, as cotas raciais não só consolidarão as categorias raciais, mas as farão literalmente existir.
O gesto de Rosa Parks em 1955 visava extinguir a diferença e a desigualdade legal entre brancos e negros nos EUA e acabar com o gueto.Vemos, porém, que até hoje os americanos se veem às voltas com a questão registrada por Harry Belafonte em 1960, porque não conseguem se livrar da terrível desgraça que lhes foi imposta pelos dominadores britânicos e perpetuada pelas leis até os anos 1950. A foto de Barack Obama naquele ônibus representa a necessidade de lembrar sempre dos heróis, anônimos ou não, que optaram por sair do gueto, não aceitá-lo jamais, nem que seja por força da discriminação positiva, ou afirmativa.
Os brasileiros que como eu, nos meus dezesseis anos e até hoje, não se veem e não foram legalmente divididos em brancos e negros, em sua grande maioria não aceitam as leis raciais. Mas quem os representa? Na audiência pública realizada em 2010 no STF a maioria dos convidados a se pronunciar era favorável às cotas raciais. Neste julgamento que se avizinha apenas duas vozes estarão defendendo a posição de Rosa Parks. A maioria quer reforçar a “raça” para depois extingui-la.
Nem sempre a posição majoritária prevalece nestas situações, mas neste caso temo pela sorte do povo brasileiro, que preferiu ao longo de séculos se pensar a partir da metáfora dos três rios que se juntam em um novo e caudaloso,  que não criou leis segregacionistas e não proibiu o casamento entre pessoas de cores diferentes. Será mesmo que estes juízes conhecem suficientemente a História para  decidirem sobre o destino de todos os brasileiros?

domingo, 15 de abril de 2012

Reflexoes sobre o tempo

"À medida que vivemos, o tempo parece que se acerela e sempre nos pegamos dizendo "parece que foi ontem".

É porque as nossas experiencias repetidas já estão no automático e as dulicadas são apagadas.

Temos, ao envelhecer, uma grande vantagem: quando vivemos alguma coisa pela primeira vez, nosso cérebro dedica muitos recursos para compreender o que está acontecendo e é quando nos sentimos mais vivos. 

Parece, portanto, que a chave do tempo está na nossa capacidade de mudança e de adaptação ao novo. 

Mudar de ares, mudar de ambiente, tirar férias ir a festas, conhecer gente nova observar a juventude, tudo nos encaminha para um ambiente mental de paz e harmonia. 

Viver é o antídoto do tempo."

quarta-feira, 28 de março de 2012

Pecar pelo roubo

POR FAVOR, NÃO ROUBEM SEUS COLABORADORES

Muito provavelmente, os leitores deste artigo devem considerar o título extremamente agressivo, inclusive deselegante.

Proponho que tenhamos muita calma e atenção sobre esse assunto, pois para mim, realmente, existem muitos 'ladrões' nas organizações, não do dinheiro das empresas, mas sim das pessoas que com eles trabalham.

A argumentação que tenho sobre essa afirmativa foi baseada no livro "O caçador de pipas", de Khaled Hosseini, que tive o enorme prazer de ler e reler. Permito-me dizer que o livro me foi emprestado pela minha ex-sogra, acompanhado do seguinte bilhete: 'Este livro é bom demais para ficar na prateleira'.

Principalmente em razão do bilhete, encorajei-me em não deixar “engavetado na prateleira da minha cabeça” (sic) as conexões que consegui fazer durante a leitura deste livro com a realidade das organizações e nas atitudes, posturas e comportamentos de muitas pessoas que se autointitulam de líderes de pessoas, apenas em função do cargo que exercem.

De todos os prazeres e sensações agradáveis, e muitas vezes tristes, que a leitura deste livro me proporcionou, a mais marcante e significativa para mim foi a seguinte:

Em conversa com seu filho Amir, Baba afirma que existe apenas um pecado no mundo: o do roubo.
Ele justifica essa afirmação, dizendo:
Quando você pensa que alguns de seus subordinados não estão correspondendo às suas expectativas, e nada diz, você está 'roubando' a vida profissional deles.
Quando você fala a respeito das pessoas e não com as pessoas, você está 'roubando' a oportunidade de elas saberem a opinião que você tem a respeito delas.
Quando você não reconhece os aspectos positivos que todas as pessoas têm, você está 'roubando' a alegria e a satisfação que todos nós precisamos por nos sentir valorizados e úteis.
Além de 'roubar', você está sendo o principal gerador de um ambiente de trabalho desmotivador e desinteressante.
Tenho hoje a convicção - não a verdade - de que realmente só existe um único pecado que qualquer profissional pode cometer no exercício de cargos de liderança:
NÃO DIZER, DE FORMA EXPLÍCITA, CLARA E DESCRITIVA, COMO PERCEBE E SENTE OS DESEMPENHOS E OS COMPORTAMENTOS DAS PESSOAS COM QUEM TRABALHA.
Todos nós temos um discurso fácil ao afirmar que é imprescindível haver respeito e consideração com todas as pessoas com quem convivemos, quer no plano pessoal ou profissional. Pensar e falar são coisas extremamente fáceis.

O grande desafio está no agir, no fazer, no praticar aquilo que se diz ou pensa como sendo o certo, o correto nas relações entre as pessoas. Não valemos pelo que pensamos, mas sim pelo que realmente fazemos.

Tenho constatado, com base no mundo real, que a maioria das pessoas deixa de se manifestar sobre como percebe e sente o comportamento das pessoas com quem convivem. A racionalização por não dizer nada é baseada no argumento de que, 'afinal, ninguém é perfeito' e vai acumulando insatisfações, com reflexos inevitáveis nas relações.

Acrescento que o pior tipo de relacionamento que podemos praticar com as pessoas com quem trabalhamos e vivemos é o do silêncio. O silêncio fala por si só. Diz muita coisa, e gera uma relação de paranoia, muita ansiedade e enorme frustração. Dizem que as pessoas admitem boas ou más notícias, detestam surpresas.

Tomo a liberdade de recorrer a um artigo escrito por Eugenio Mussak, na revista "Vida Simples", do mês de julho deste ano. Ele é enfático ao afirmar que feedback é uma questão de respeito e consideração para a outra pessoa.

Chego à conclusão de que só damos feedback para as pessoas que respeitamos e gostamos.Dar e receber feedback são questões básicas e essenciais para a existência de uma relação saudável, duradoura e, principalmente, respeitosa.

Considero oportuno lembrar também que todas as coisas em que prestamos atenção tendem a crescer. Se olharmos tão somente os aspectos negativos de alguém, esses tendem a crescer aos nossos olhos.

O inverso também parece ser fatal. Se dirigirmos nossas observações a respeito das questões positivas que todos nós temos, existe a grande possibilidade de elas também crescerem.

Em síntese: sugiro a você que façamos um exame de consciência profundo nas diversas relações que mantemos. Pergunte-se com bastante frequência: Será que eu estou 'roubando' de alguém algumas informações ou percepções que podem lhe ser úteis para o seu crescimento pessoal e profissional?

Fonte: HSM On-line | Instituto MVC 16/10/2007
Alfredo Biscaia, João
Consultor Sênior do Instituto MVC, um dos maiores autores em temas ligados a RH.

terça-feira, 20 de março de 2012

Consciência das Gerações

A GERAÇÃO DA AGILIDADE E DO CONSUMO

Por Aline Oliveira

Uma geração que nasceu com a internet tem habilidade de fazer inúmeras coisas ao mesmo tempo e uma pressa incontrolável. Essa é a Geração Y, formada por jovens que não querem mais repetir os erros dos pais e dos avós e encaram o trabalho como uma ferramenta para a realização dos seus projetos pessoais.
Falar ao telefone, escrever um e-mail, baixar músicas na internet, conversar com cinco pessoas paralelamente pelo MSN, acompanhar as notícias nos sites de jornais e revistas e, ainda, escrever um relatório detalhado sobre um projeto. Tudo isso ao mesmo tempo, tudo isso em alguns minutos.
Essa é a realidade das pessoas que pertencem à Geração Y, ou seja, aquelas que nasceram no final da década de 70 até o início dos anos 90. E se você fizer parte dessa geração, com certeza não estará apenas lendo só esta matéria.
Até porque dá para fazer mil outras coisas simultaneamente, não é mesmo?
Os jovens da Geração Y têm entre 16 e 29 anos e, como estão “ligados” à internet desde que nasceram, possuem habilidades tecnológicas que muitas vezes superam as das gerações anteriores.
As gerações que precederam a Y foram as dos Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, e a Geração X, das pessoas que nasceram entre 1965 e 1976. Uma geração é marcada pela passagem cronológica de 25 anos. “Esse é o tempo de crescer, casar e reproduzir”, explica o neuropsicólogo e professor Eugenio Pereira.
Mas ele acrescenta que uma geração pode se formar também por conta de acontecimentos históricos, como guerras, revoluções e catástrofes. Esses episódios são os que muitas vezes ajudam a definir as características, hábitos e até personalidades de uma geração. A Geração Baby Boomer nasceu após a Segunda Guerra Mundial e, por isso, tinha como ideal reconstruir o mundo, o que significava trabalhar, trabalhar e trabalhar. Já a geração X veio quando o Movimento Hippie e a Revolução Sexual estavam com toda força, por isso as pessoas dessa geração pregavam a paz e a liberdade. Já os membros da Geração Y são imediatistas, generalistas e rápidos, características ligadas à Revolução Tecnológica.
Entretanto, os hábitos podem passar de uma geração para outra. Afinal, são tradições que passam de pais para filhos. Por isso, é muito comum ver que alguns membros da Geração X mantêm a ideia de trabalhar bastante, pois esse era o principal valor dos pais, os Baby Boomers. “Essa geração herdou dos pais a importância de preservar o emprego”, explica Patrícia Epperlein, sócia-diretora da Mariaca Consultoria. Eles, os Baby Boomers, encaravam o trabalho como a coisa mais importante da vida. “O emprego era a identidade da pessoa”, completa Patrícia Epperlein.
Só que a Geração X teve uma novidade: as mulheres começaram a trabalhar e, consequentemente, não tinham mais tempo para cuidar só da casa e dos filhos. Com isso, a Geração Y foi criada por babás ou passou muito tempo em escolinhas. “Foi uma geração criada pela televisão, com pais ausentes ou omissos”, defende Pereira. Daí a necessidade que os membros da Geração Y têm de ter tempo para os filhos e trabalhar menos.

A GERAÇÃO Y NO TRABALHO

O trabalho para a Geração Y é um paradoxo. Ao mesmo tempo em que há workaholic, worklovers e profissionais estressados, há aqueles que priorizam a qualidade de vida e horas de lazer. Na mesma medida em que há pessoas com 25 anos bem-sucedidas profissionalmente, há jovens, da mesma idade, que ainda nem amadureceram e vivem sob a proteção dos pais.
Mas, dentre tantas contradições, há um ponto em comum: o egoísmo. A Geração Y prioriza seus interesses e dificilmente abre mão de satisfazer um desejo pessoal em detrimento de algum emprego. “O trabalho não é uma obrigação. Fazer o que gosta e fazer diferente é que é a prioridade”, explica Mário Fagundes, diretor de carreiras da Catho.
Gerenciar melhor o tempo, priorizar a excelência e a consciência ambiental são outros pontos relevantes para a Geração Y quando o tema é trabalho. “A geração Y, tem uma consciência de qualidade mais aguçada”, completa Fagundes.
Além disso, é uma geração que tem boas relações interpessoais no ambiente de trabalho e entende que duas cabeças pensam melhor que uma. “É uma geração que prioriza o trabalho em equipe”, defende Irene Ferreira Azevedo, professora da Brazilian Busines School, BBS.
 
 
AS DIFERENÇAS DAS GERAÇÕES
GERAÇÃO BABY BOOMERS X Y
Ano nascimento De 1946 até 1964 De 1965 até 1978 De 1979 até 1992
Acontecimentos que marcaram a geração Final da 2ª Guerra Mundial Movimento Hippie, revolução sexual Revolução tecnológica
Principais ideais Reconstruir o mundo Lutar pela paz, liberdade, anarquismo Globalização, multicultura e diversidade
O trabalho é... A principal razão da vida O que paga as contas A satisfação do desejo de consumismo
Média de tempo nas empresas 30 a 40 anos 10 a 15 anos 5 anos

EMPRESAS VERSUS GERAÇÃO Y

Criatividade, democracia, estrutura horizontal e flexibilidade. Esses são os conceitos que devem ter uma empresa para atrair um profissional da Geração Y. “Essa geração prefere organizações em que é possível preservar a qualidade de vida”, completa o diretor acadêmico de pós-graduação da ESPM, Richard Lucht. Por isso, companhias que têm estruturas patriarcais e são extremamente rígidas com horários, por exemplo, passam longe da lista de desejos desses profissionais. “Essa geração também vê com bons olhos empresas que têm consciência ambiental”, completa Irene Ferreira Azevedo.
Outro ponto relevante para os jovens é que eles sejam estimulados o tempo todo pelas companhias em que trabalham. “Eles gostam da exigência do dia a dia e ficam insatisfeitos com a rotina”, completa Patrícia Epperlein. Portanto, projetos que estimulam a inteligência, a criatividade e, acima de tudo, são desafiadores e produzem resultados perceptíveis inspiram os jovens profissionais. Diferentemente da geração dos avós, os Baby Boomers e até dos pais, os X, a Geração Y não tem nenhum compromisso com a empresa.
Trabalhar a vida inteira em uma única companhia ou passar mais de uma década numa empresa são coisas irreais para os jovens da Geração Y. A fidelidade deles é com a carreira, nunca com uma empresa. Portanto, quando percebem que a companhia em que estão trabalhando não oferece oportunidade de crescimento, ou quando o salário não é compatível com o que eles querem, os jovens da Geração Y não pensam duas vezes em mudar de emprego. “Eles não têm muita paciência para esperar uma promoção”, exemplifica Irene Ferreira Azevedo.
Empresas novas, ou seja, que têm a mesma idade dos jovens da Geração Y, também são alguns dos possíveis lugares em que os jovens podem ir procurar emprego. “São empresas modernas que nasceram junto com essa geração e têm os mesmos valores”, completa Pereira. Já as companhias mais tradicionais, que ainda mantêm estruturas muito hierarquizadas, estão mudando aos poucos seus valores para atrair os profissionais da Geração Y.

GERAÇÕES: CONFLITOS E DIFERENÇAS

Como citado no início desta matéria, cada geração é marcada por um acontecimento, e isso determina a forma como as pessoas nascidas naquela época vão ser. Além disso, as gerações posteriores reagem às posturas das gerações antecessoras, tanto positiva quanto negativamente.
Os Baby Boomers encarnaram a ideia de reconstrução do mundo, e por causa da postura os profissionais dessa época trabalharam numa única companhia. Além disso, são eles os responsáveis por muitas coisas que temos hoje. “Foram os Baby Boomers que construíram as grandes empresas e são eles que estão no comando dos altos cargos das companhias”, esclarece Fagundes.
Os filhos dessa geração, a Geração X, tinham como norte tanto a herança de trabalhar tanto quanto os pais, como os ideais da época. Por isso, eles também têm o conceito de ficar bastante tempo nas empresas, mas não durante toda a vida, como os Baby Boomers. Para eles, trabalho era o que pagava as contas. Outros fatores que marcaram a época da Geração X foram as fusões entre as empresas e a instabilidade econômica do País, o que gerava o medo do desemprego. “Foi uma geração que lidou muito com a instabilidade e que começou a perceber que as grandes empresas não eram um lugar seguro para fazer carreira”, completa Patrícia Epperlein.
A Geração Y é o fruto disso tudo, sobretudo o fruto da culpa dos pais da Geração X, “que não tinham tempo para criar os filhos e os enchiam de presentes”, defende Irene Ferreira Azevedo. Talvez por esse motivo os profissionais da Geração Y priorizem tanto a qualidade de vida. “Eles sabem que precisam ter tempo para os filhos e cobram-se por isso”, completa Irene Ferreira Azevedo.
Mas quando essas gerações entram em conflito? Sempre, mas focando no âmbito profissional, os conflitos gerados nas empresas surgem por causa da incompatibilidade de gerações. Mas quando as companhias percebem que cada conflito pode causar um atrito desnecessário, é hora de tomar uma providência. “Cabe às empresas perceber as diferenças e treinar os funcionários para que haja harmonia nas organizações”, acrescenta Patrícia Epperlein.

A GERAÇÃO Y

Na empresa:
  • Tem compromisso com a carreira, nunca com a empresa;
  • Se demora muito para ser promovida, troca de companhia;
  • Se acha que o salário não está adequado ao currículo, sai da empresa ou dispensa a oferta de trabalho;
  • Não tem medo de bater de frente com os superiores;
  • Dispensa as formalidades e tem uma postura informal até com o presidente da companhia.
Características:
  • Entende tudo de tecnologia;
  • Estudou muito, porém tem pouco conhecimento. É generalista;
  • É imediatista;
  • Deseja consumir tudo: bens materiais, empregos, emoções.

GERAÇÃO GENERALISTA

“Um oceano de conhecimento com um pires de profundidade”. A frase de Lucht define bem o conceito de generalização em que a Geração Y está inserida.
Acostumada a lidar com muita informação e atropelada pela pressa constante inerente à sua geração, os jovens de hoje são uma espécie de especialistas de generalidades, pois sabem de tudo um pouco, mas só um pouco. “São leitores de manchetes, não têm o hábito de se aprofundar em nada”, completa Lucht. “Sempre entendem de algo, mas de uma maneira muito superficial”, acrescenta Fagundes.
A causa desse comportamento está atribuída ao fato de a Geração Y não ter muita paciência para lidar com coisas que demandam muito tempo. E como estudar e especializar-se é algo demorado, acabam ficando para segundo plano.
As faculdades, sobretudo as privadas, também se adequaram a essa “pressa constante”. Algumas delas têm em sua grade de horário disciplinas que são mais práticas e estimulam muito mais as habilidades técnicas do que as teóricas. “As instituições de ensino seguem a tendência de mercado e incorporam essa pressa”, completa Lucht. Entretanto, ele ressalta que é de total interesse do aluno e do profissional escolher o que priorizar. “Vai do perfil de cada um escolher por uma formação mais analítica e reflexiva, ou não.” E acrescenta que o interesse da Geração Y em especializar-se cresceu muito nos últimos anos.

Fonte: Revista Vencer - Ano IX nº 104 

segunda-feira, 12 de março de 2012

E sugiro o Ensinar Verdadeiro:


"O primeiro princípio do ensinar verdadeiro é que nada pode ser ensinado.

Aquele que ensina não é um instrutor ou mestre de tarefas. É simplesmente alguém que ajuda e guia.

Sua tarefa é sugerir e não impor.

Ele, no fundo, não treina a mente do discípulo. Apenas lhe mostra como aperfeiçoar seus instrumentos de conhecimento e o ajuda e encoraja no processo.

Ele não transmite o conhecimento, porém mostra como adquirir o conhecimento por si mesmo.

Da mesma forma, não faz aparecer o conhecimento que está dentro, apenas mostra onde se situa e como pode ser habituado a subir à superfície"

(Revista AMANDA - Caderno Especial I, Jan/74)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Leia-se Economia-Política

Por que o capitalismo sempre foi o verdadeiro socialismo. Agora a prova aritmética
 Por Reinaldo Azevedo
Vocês sabem que a tirania chinesa é o grande farol do petismo. Os companheiros são fascinados por aquele misto de estatismo, ditadura, elite pistoleira e, ora veja, crescimento econômico.  Se há um lugar onde o capitalismo exibe a sua face realmente selvagem — sem, vamos dizer, os requintes civilizatórios dos direitos sociais —, esse lugar é a China. Fez-se uma sociedade de mercado para uns 400 milhões de pessoas, mantém-se uns 900 milhões debaixo de chicote, e a vida continua.
- Os petistas são obcecados pela “ditadura que funciona”.
- Alguns plutocratas nativos são obcecados pela “parceria” lá existente entre estado e iniciativa privada. Chamam  ”parceria” a mais pura pistolagem.
- Alguns que se querem “pragmáticos” são obcecados pelo, como chamarei?, “produtivismo”.
Como todo mundo sabe, a China só pode fazer o dumping clássico e exportar ao mundo a preço de banana porque faz um outro dumping, o de vidas humanas. Até alguns que se querem da minha turma, liberais, acham aquilo lindo! Lixo! Não são da minha turma. O liberalismo que não supõe o exercício das liberdades individuais e de organização é só a pistolagem dos mais fortes. Assim como o comunismo original era a pistolagem dos mais fracos. É claro que não poderia dar em nada.
Por que isso tudo? No Radar Econômico do Estadão Online, Sílvio Guedes Crespo traz uma informação espetacular, veiculada pela agência Bloomberg. Leiam trechos:
Um levantamento da agência Bloomberg a partir de dados da Hurun Report, instituição que mede riqueza na China, mostrou que a elite política do país asiático tem um patrimônio dezenas de vezes superior ao das autoridades americanas. Em reportagem intitulada “Congresso bilionário chinês faz seus pares americanos parecerem pobres”, a Bloomberg informa que os 70 delegados mais ricos do Congresso Popular da China (que tem no total 3 mil membros) possuem, juntos, uma fortuna de US$ 89,8 bilhões. Enquanto isso, nos Estados Unidos, os 535 membros do Congresso, o presidente, os secretários (equivalente a ministros) e os nove membros da Suprema Corte - 660 pessoas no total - detêm, juntos, um patrimônio de US$ 7,5 bilhões.
A Bloomberg acredita que isso seja uma amostra de como o crescimento econômico chinês tem ocorrido de forma desequilibrada. É muito provável que seja verdade, mas, para não deixar dúvida, a agência poderia ter mostrado a evolução desses números ao longo do tempo. “É extraordinário ver esse grau de casamento entre riqueza e política”, disse à Bloomberg um analista do Brookings Institution, em Washington.
Na China, vários bilionários têm cargo público. Por exemplo, Zong Qinghou, segundo homem mais rico do país de acordo com a lista mais recente da Hurun Report, é um delegado do Congresso. Zhang Yin, a mulher mais rica da China, é membro da Conferência Consultiva Política Popular da China. Segundo a Bloomberg, o ex-presidente chinês Jiang Zemin promoveu a inclusão de empresários privados no Partido Comunista.
Essa diferença entre o patrimônio das autoridades americanas e o das chinesas ocorre porque na China parte considerável da elite econômica é ligada diretamente ao governo ou ao partido. Já nos EUA, as autoridades e os legisladores não são necessariamente bilionários.
(…)
Encerro
A democracia liberal é o único regime que permitiu, até hoje, a efetiva participação do homem comum no processo político: não precisa ser um plutocrata nem um membro do “partido”. Tudo aquilo que os comunas sempre pregaram é garantido, ora vejam, pelo capitalismo — desde que exercido sob a tutela democrática. Verdade insofismável: existe capitalismo sem democracia, mas não há democracia sem capitalismo. Se livres, é claro que a tendência dos homens será em favor da redistribuição da riqueza. O verdadeiro “socialismo”, pois, é a democracia capitalista. Sob ditaduras, o que se terá sempre será a concentração da riqueza.

O PT só não consegue ser “chinês” porque é incompetente. No mais, aquele modelo os inspira. O partido também ama o estado, a ditadura e vive de braços dados com espertalhões subsidiados, convertidos em grandes esteios da economia nacional.
Não se esqueçam jamais, meus queridos: o verdadeiro confronto de posições hoje em dia se dá entre “a direita” (como eles chamam) que trabalha para arrecadar impostos e “a esquerda” que vive pendurada nas tetas do estado, com seus plutocratas agregados.
Voltando ao centro: aquela desproporção entre a concentração de riqueza dos políticos chineses e dos homens de Estado nos EUA é ainda mais eloqüente se nos lembrarmos que os EUA têm um PIB de US$ 15 trilhões para uma população de 300 milhões de habitantes, e a China, de US$ 7 trilhões para a uma população de 1,3 bilhão! Os EUA, nação mais rica do planeta, tem o 15º PIB per capita do mundo (US$ 48.147); a China, o 90º (US$ 5.184). Só para vocês terem uma idéia, o PIB per capita de Banânia (US$ 11,177) é mais do que o dobro do chinês, o que nos coloca em 71º no ranking.
De novo: o modelo chinês, tão admirado pelos “companheiros”, consegue ter o 90º PIB per capta do mundo e concentrar nas mãos de 70 políticos a estratosférica quantia de US$ 89,8 bilhões. Em 15º lugar, toda a elite política americana tem apenas o correspondente a 1/12 desse total.
Ah, sim: o comunismo, o tal “regime da igualdade” tão apreciado pela petezada, é o chinês, tá, pessoal? Do modelo americano, os companheiros não gostam. Acham que ele é muito concentrador de renda…
Essa é uma das razões por que esses homens justos me encantam tanto. É por isso os JEGs (Jornalistas da Esgotosfera Governista) os defendem tanto!
Por Reinaldo Azevedo

Fonte: Veja.abril.com.br Blog de Reinaldo Azevedo